As empresas modernas dependem de vários softwares e aplicações de terceiros para suas operações diárias. Sob a perspectiva de segurança, conceder autorização e permissões de forma generalizada a todas essas aplicações é algo arriscado. Portanto, os administradores de sistema precavidos adotam uma prática para evitar possíveis ameaças e proteger os dados confidenciais. Essa prática é chamada de colocar aplicações na whitelist.1
Neste artigo, vamos explorar o que é colocar aplicações na whitelist, seus benefícios e como os administradores podem implementá-la.
O que é colocar aplicações na whitelist?
Colocar aplicações na whitelist é uma abordagem que consiste em restringir o uso de ferramentas ou aplicações apenas a usuários que já foram verificados e aprovados. As organizações adotam essa abordagem delegando a um administrador do sistema ou aplicação de terceiros a tarefa de gerenciar a lista de aplicações e impor essas restrições.
Essa prática usa o princípio Zero Trust, que diz que nenhum recurso em uma organização pode interagir com o sistema sem uma autorização estrita. Embora às vezes seja confundido com o princípio do privilégio mínimo (PoLP), o Zero Trust é mais abrangente. O PoLP se concentra principalmente no controle de acesso, enquanto o Zero Trust começa com a premissa de que qualquer ação ou ator é possivelmente mal-intencionado e, portanto, requer verificação.
Colocar na blacklist2 é uma abordagem menos restritiva. Ela permite o uso de ferramentas de terceiros, desde que não estejam na blacklist. No entanto, essa prática não considera ameaças não identificadas, muitas vezes resultando em uma sensação falsa de segurança.
Benefícios de colocar aplicações na whitelist
Colocar aplicações na whitelist traz benefícios significativos para organizações preocupadas com a segurança. Além disso, também tem benefícios relacionados a custo-benefício e conformidade legal.
Ambiente de trabalho altamente seguro
Quando você implementa a abordagem de colocar aplicações na whitelist, pode reduzir consideravelmente as chances de um ataque à segurança. Desde que você estabeleça cuidadosamente a lista de aplicações permitidas e a atualize com frequência, a probabilidade de um incidente será menor. Com um controle mais rígido sobre ferramentas de terceiros, é possível reduzir substancialmente o número de possíveis vetores de ataque. Colocar na whitelist também aumenta de forma inerente a granularidade do controle de acesso, que (além de melhorar a segurança) também reduz a probabilidade de erros custosos cometidos por humanos.
Conformidade regulatória
Os regulamentos de certos setores podem exigir alguma forma de colocar aplicações na whitelist para fins de conformidade. Isso é comum em contextos sensíveis, como o do setor de pagamentos com cartão (PCI), em que ataques à segurança podem prejudicar gravemente os clientes. Caso uma organização conceda acesso a um malware ou um software inseguro, as possíveis consequências podem incluir danos financeiros a milhões de usuários no mundo todo.
Redução de custos
Independentemente do cenário econômico, as empresas estão sempre buscando formas de melhorar o custo-benefício. Uma whitelist rígida leva a uma utilização reduzida de abordagens ineficientes e muitas vezes dispendiosas, que focam em limpar a bagunça em vez de impedi-la. Quando um ataque à segurança acontece, costuma causar prejuízo e pode prejudicar a reputação da empresa de forma irreversível. Ao evitar esses incidentes, você também reduz os custos associados a eles.
Limitações de colocar aplicações na whitelist
Embora os benefícios sejam significativos, colocar aplicações na whitelist com eficácia pode ser uma tarefa desafiadora. Vamos analisar algumas limitações que precisam ser consideradas ao decidir se essa abordagem é uma boa ideia para a sua empresa.
Manutenção mais complexa
Manter uma whitelist atualizada pode ser exaustivo, pois requer avaliação constante e reação imediata por parte dos administradores. A manutenção constante é necessária para garantir que o sistema de TI da organização permaneça protegido no grau mais elevado. Os invasores estão sempre buscando novas vulnerabilidades, então ferramentas consideradas seguras em um dia podem estar suscetíveis a ataques no outro.
Por causa disso, as blacklists podem ser mais eficientes, já que permitem uma variedade mais ampla de opções em tais situações. No entanto, há uma compensação entre eficiência e necessidades de segurança. Você deve avaliar isso cuidadosamente com base em vários fatores, como tolerância a riscos, impacto na produtividade e requisitos legais.
Dificuldades de estabelecer um índice inicial
Ao implementar a abordagem de colocar aplicações na whitelist, você precisa considerar muitos fatores. Uma empresa que está operando sem uma whitelist provavelmente precisará encerrar algumas aplicações atualmente eque estão em uso se elas não atenderem aos requisitos de segurança. Substituí-las pode exigir tempo e esforço. Também pode ser necessário um treinamento completo da equipe sobre as ferramentas substitutas. Embora o tempo investido em treinamento seja benéfico no longo prazo, esse investimento pode inicialmente impactar o ritmo dos projetos em andamento.
Produtividade reduzida
A segurança e a produtividade tendem a ser inversamente proporcionais. Um alto nível de segurança pode reduzir os ataques, mas também traz vários desafios para os funcionários que podem afetar a produtividade deles. Aderir a padrões de segurança geralmente gera etapas adicionais (algumas não previstas) ao concluir uma tarefa. Isso pode aumentar o nível geral de frustração entre os funcionários.
Ao restringir o conjunto de aplicações que podem ser usadas na sua organização, você acaba restringindo o grupo de candidatos disponíveis que têm as habilidades desejadas para desempenhar as tarefas necessárias a uma posição. Isso pode dificultar o trabalho dos gerentes de contratação.
Sumário
Colocar aplicações na whitelist é uma das medidas mais rigorosas de segurança que uma organização pode adotar. No entanto, manter um alto nível de segurança requer colocar na balança seus benefícios e a possível redução na produtividade e no desempenho dos funcionários. Os setores altamente regulados devem ter ainda mais cuidado ao fazer essa equação.
A implementação de medidas de segurança altamente restritivas, como colocar aplicações na whitelist, podem ser benéficas, mas também contraproducentes, dependendo da sua abordagem a essas medidas. Por esse motivo, geralmente é melhor deixar para empresas terceirizadas especializadas a tarefa de colocar aplicações na whitelist.
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1 Algumas organizações, incluindo a CrowdStrike, referem-se colocar na whitelist como colocar na lista de permissões.2 Algumas organizações, incluindo a CrowdStrike, referem-se a colocar na blacklist como colocar na lista de bloqueios.